Terça-feira, 28 de Março de 2006

O Mistério dos Uivos

Numa pacata aldeia, escondida entre as serras e os rios, vivia uma pequena população formada principalmente por idosos desamparados, pois todos os familiares haviam ido para a cidade à procura de emprego.

Um dia, o sossego e a calma abandonaram aquele sítio de harmonia e esplendor, pois durante as noites quentes de Verão começaram a ressoar uivos arrepiantes vindos da serra. Aquele ruído atemorizante seguiu-se por noites e noites, até que os habitantes receosos daquele som, decidiram comunicar às autoridades o que ali se sucedia. No percurso para a aldeia Horácio e Jeremias, os dois agentes destacados para aquele caso, comentavam entre si que este era estranhíssimo, pois não era conhecida a existência de lobos naquela zona.

Depois de chegarem à aldeia e de se aperceberem da gravidade da situação, os dois agentes fizeram várias buscas em redor da aldeia, mas não obtiveram resultado algum. Assim, decidiram ir por outro caminho.

Naquela noite, e a partir de uma ideia que um dos habitantes dera no início da operação, começaram a vigiar todos os passos dos habitantes daquela aldeia.

No fim das buscas, Horácio divulgou uma lista, na qual estavam presentes os nomes de todos os que não se encontravam em casa nessas noites de investigação e durante as quais continuavam-se a ouvir aqueles uivos arrepiantes. Agora que os agentes começavam a chegar a certas conclusões, bastava seguir os habitantes cujo nome fazia parte da lista, mas será que aqueles homens velhos e que pareciam tão assustados poderiam ser a fonte de todo aquele pânico.

Logo na primeira noite em que eles seguiam o "Ti Manel", perderam-se perante aquele mato esverdeado e imenso, e foram dar a uma pequena clareira onde o ruído do lobo era intenso e ensurdecedor. Ao se aproximarem encontraram uma pequena caixa, era de lá que saia todo aquele som, e na tampa castanha e brilhante estava um bilhete com o seguinte texto: "Descobriram o lobo, agora descubram o seu dono." Jeremias, intrigado com o conteúdo da missiva, pensou em desistir daquela missão, até que ouviu entre os arbustos gargalhadas eufóricas. Começou a correr em direcção ao riso, mas como os dois agentes desconheciam aquela zona perderam rapidamente o indivíduo, ficando apenas com um pequeno retalho da sua roupa. Agora bastava compará-lo com a roupa de todos os habitantes, e esperar que algum reconhecesse a amostra como sua ou de algum vizinho.

Depois daquela noite, em que a resolução do caso estivera tão perto, não podiam desistir. Então chamaram todos os habitantes ao centro da aldeia, estes foram prontamente mas sentia-se no ar um misto de curiosidade e indignação. Jeremias e Horácio questionaram a todos os habitantes o dono daquele retalho de roupa. Horas depois, farto daquele assunto, e já que todos os habitantes afirmavam que aquele pedaço de roupa lhe pertencia, o "Ti Jaquim" acusou-se, desvendando todo o mistério que nos últimos tempos assombrava a aldeia, e que lhe roubara todo o seu colorido, o seu bem-estar e a sua calma.

 

Débora António, Gonçalo Rodrigues, Inês Eira, João Cardoso

 

Publicado por ML às 00:23
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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