Terça-feira, 31 de Maio de 2005

Uma ILHA!!




O mar calmo reflectia no céu uma cor azulada.

Olhei em meu redor. Só observava pássaros de diversas espécies que embalavam o meu ouvido com o seu chilrear maravilhoso. Esses pássaros eram de mil e uma cores e saltitavam de ramo em ramo das maravilhosas árvores que, imponentes, povoavam a ilha. De cor verde ou amarelado, de folhas largas e compridas, de troncos largos e robustos, estas árvores davam uma beleza única à ilha, tal como abrigo aos milhares de pássaros ou pequenos mamíferos.

Dei uma volta e dei de caras com uma luta feroz, entre dois animais de hastes grandes e belas. Dois veados lutavam, numa luta feroz de onde só um sairia vencedor.

Foi então que, para meu espanto, ao longe avistei uma cabana feita de canas e de lianas. A casa não era muito grande, mas, como toda a ilha também ela era bonita. De dentro da cabana saíram dois meninos que corriam e saltavam contentes por se encontrarem em liberdade.

Pensei quão bela seria a sensação de acordar de manhã com o chilrear dos pássaros e o rebentar das ondas.

Foi, com todos estes sonhos maravilhosos que acordei com uma sensação de liberdade, mas ao mesmo tempo de tranquilidade que me acalmava o espírito, como uma mãe acalma um filho…



Beatriz Rodrigues
Publicado por ML às 09:33
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Amanhã


Nunca como hoje
O céu esteve tão azul


Nunca como hoje
O sol brilhou


Nunca como hoje
Fomos tão longe


Mas nunca como hoje
Os meninos tiveram fome


Continua a ser preciso
Melhorar o amanhã...


Inês Batalha
Publicado por ML às 09:26
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2005

Capitão Gancheta e o Barco Roubado – PARTE III

Olho-de-Tigre tinha razão. O mar era bravo, o vento demasiado forte e por pouco não naufragámos. As ondas batiam no casco com tanta força que muitas tábuas se soltaram. Depois de várias horas de luta feroz, chegámos por fim à Baía dos Porcos.

A gruta era um local muito escuro e o único barulho que se ouvia eram pingos de água a caírem. Andámos durante três horas. Todas as galerias tinham o mesmo aspecto: castanhas, húmidas, frias e pouco espaçosas. Foi então que surgiram dois caminhos e fomos cada um por seu lado.

O capitão Gancheta andava em círculos, sem se aperceber, mas à quinta vez, o lugar pareceu-lhe familiar.

- “ Co’ um caneco !....Tenho andado este tempo todo em círculos. Vou voltar para o local onde nos separámos e esperar pelo rapaz. “

Mas, mais ao menos seiscentos metros à frente encontrou o seu barco. Olhou para a esquerda, para a direita, para trás e para a frente e, assegurando-se que não vinha ninguém, correu para o navio e tirou-o dali.

Enquanto isso eu, entre galerias e galerias, encontrei o diamante. Mas tudo aquilo me pareceu silencioso de mais. Não dei muita importância, peguei no diamante e fui-me embora. Mas, quando ia a sair, senti uma coisa na minha cabeça. Uma voz conhecida mandou-me virar. Era ela…!! A Celestina que na mão transportava um ameaçador revólver. Pensando que eu vinha sozinho, conduziu-me ao barco, mas qual não foi o seu espanto quando viu que o barco não estava lá.

“-Mas eu podia jurar que tinha atracado aqui o barco !!!”- disse ela confusa.

Enquanto isso, o capitão Gancheta deu-lhe com uma panela na cabeça e ela desmaiou. Então agradeci ao capitão:

“-Obrigado, meu capitão.
“- Não tens de quê! Eu também tenho que te agradecer por me teres ajudado a encontrar o meu barco . Só é pena não termos o diamante. “- Disse ele, um pouco triste.
Foi então que eu o tirei do bolso e estendi a mão na sua direcção e, na sua cara triste, abriu-se um largo sorriso, então ele abraçou-me e exclamou:
“- Obrigado, meu rapaz.”


Seguimos para o porto das Berlengas onde uma enorme multidão nos esperava entusiasticamente. Entregámos a Celestina às autoridades e fomos ao encontro do Olho-de-Tigre que nos agradeceu e ofereceu a sua casa para dormirmos mais uma noite.

Na manhã seguinte, partimos para mais um dia de roubos e festins a bordo do nosso navio…



FIM


Beatriz Rodrigues





Publicado por ML às 14:13
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2005

Capitão Gancheta e o Barco Roubado – PARTE II





O mar estava bravo, o que dificultou a viagem. As ondas mediam cerca de seis a sete metros. Eu e o Capitão vimo-nos em apuros para vencer aquelas ondas que ameaçavam tirar-nos o barco e ainda a vida. Elas pareciam gigantes em fúria. E assim se passaram dois tenebrosos dias sem que conseguíssemos tomar o rumo para as Berlengas.

O capitão estava sereno, enquanto eu corria de um lado para o outro à procura de tábuas que se tivessem soltado durante a tempestade. Foi então que ele cortou o silêncio:

“- Meu rapaz não precisas de procurar mais, pois aquela tempestade não causou nenhum dano ao meu navio”.

“- Mas...mas....! Como pode ter tanta certeza?” perguntei eu, incrédulo.

“- Eu vivo no mar há muitos anos. Este barco é a minha casa. Com ele roubei, chorei e festejei. E quanto ao mar, ele é a minha morada. É como se estivéssemos casados, compreendes? Sei o que ele quer e por o conhecer tão bem é que arranjei este navio. Eu sem o mar e o meu navio sou como um mar sem água, como um céu sem estrelas, como uma flor sem pétalas.”

Dizendo isto foi para o seu quarto, deixando-me sozinho a pensar no que dissera.

Chegámos por fim ao porto das Berlengas, estafados. Atracámos o barco e saímos.

Fomos almoçar a um pequeno restaurante, onde provámos inúmeras coisas boas, tais como pimenta, açúcar e um óptimo vinho daquela região. Saímos do restaurante e fomos visitar o Olho-de-Tigre.

Passámos por muitos monumentos altos e majestosos que eram cobertos por azulejos de cor azulada e branca. Aquele local era magnífico e de uma beleza descomunal.

Foi então que chegámos à mansão do Olho-de-Tigre. Era um casarão antigo, também ele com azulejos de cor branca e azul que pareciam as ondas a rebentarem nas rochas salientes da baía.

Não fomos recebidos com grande hospitalidade, mas já o esperávamos.

Entrámos em sua casa e, para nosso espanto, verificámos que estava cheia de convidados que falavam entre si sem repararem em nós.

Estávamos agora numa sala espaçosa cheia de cadeirões e móveis antigos. Houve uma coisa que me chamou a atenção. Era um quadro de mulher, jovem, por volta dos 23 anos, sentada numa poltrona. Usava um longo vestido cor-de-rosa que lhe cobria os pés. Pareceu-me familiar e aproximei-me lentamente. Foi então que confirmei as minhas expectativas. Era linda, o seu rosto era branco como a espuma das ondas, o seu nariz perfeito e os seus olhos de um verde lindo cor primaveril. Tinha um longo cabelo que lhe chegava à cintura, muito brilhante e com aspecto saudável. Foi então que me apercebi que aquele quadro tinha sido pintado recentemente, pois a data inscrita era de 16/02/1830, só tinha um mês. Pensei quão belo seria ter tido a oportunidade de a conhecer pessoalmente, mas o meu pensamento foi interrompido. Senti uma mão no meu ombro e gelei; pensava que era ela, mas uma voz semi roca fez-me virar a cabeça, era o capitão Gancheta, olhou-me, olhou o quadro e inquiriu:

“- É bela não é?”
“- Sim, “-respondi eu a medo. E tive a resposta que não queria ouvir:

“-Ela é casada com o Olho-de-Tigre. Não penses nela, pois antes de a conseguires tocar, já estarás morto. Olho-de-tigre descobrir-te-ia e serias torturado.”

Fiquei de rastos, mas não quis dar o braço a torcer:

“-Eu só a acho bonita...”

“-Não precisas de mentir. Eu conheço-te…”

Foi então que o Olho-de-Tigre apareceu na sala. Era um homem já com 70 anos. O seu cabelo preto mal se via misturado com o branco, tinha bigode farto e a sua barba devia ter uns sete dias, porque estava enorme. Usava umas calças castanhas e uma capa negra. Convidou-nos para sentar e mandou que nos servissem umas cervejas.

Falámos um pouco das nossas aventuras, mas passado um bocado ele perguntou-nos:

“- Então o que vos trouxe cá? Com certeza não foi para beber cerveja e conversar “ – disse ele.

Eu e o capitão fintámo-nos. Nós sabíamos que não podíamos, nem queríamos, adiar isto eternamente, e então o capitão respondeu:

“-Bom, nós viemos cá para te perguntar uma coisa. Julgo que não sou o primeiro perguntar-te isto...

“-Vá homem, desembucha” – disse ele impacientando-se.

“-O que nós queremos saber é onde está o diamante.”– disse por fim o meu capitão.

Olho-de-tigre levantou-se e foi à janela. Fez-se um pesado silêncio. Nem eu nem o capitão nos atrevemos a quebrá-lo. Por fim, o Olho-de-Tigre disse:

“-Para que queres tu saber do diamante? –perguntou ele com cara de poucos amigos.

“- Ora, sabes muito bem porquê!”

Seguiu-se outra pausa feita pelo Olho-de-Tigre para pensar, sabe-se lá em quê...

Olho-de-tigre sabia onde estava o diamante e também sabia que era muito difícil lá chegar. Era preciso ter um barco muito resistente, para enfrentar as fortes correntes marítimas e os ventos adversos. Ou então... O silêncio quebrou-se.

“-Só há uma maneira de chegar ao diamante, sabes como capitão? Claro que sabes!...Há...Há... Há... Com um barco amaldiçoado. Como o teu, não é capitão Gancheta?”

Olho-de-tigre sabia que, em tempos, o nosso barco tinha pertencido ao maior pirata de todos os tempos, capitão Barba Ruiva. Havia uma lenda segundo a qual, qualquer coisa que fosse roubada ao Barba Ruiva ficaria amaldiçoada. Não conhecendo a lenda, o capitão Gancheta, abalroou com êxito o barco do Barba Ruiva e ficou com ele.

“-Sim... claro que sim! Mas onde está o diamante? Perguntou de novo o capitão Gancheta.”
“-Na Baía dos Porcos “– respondeu Olho-de-Tigre. Na pequena gruta por detrás das rochas há uma entrada que vos conduzirá ao diamante.

Eu olhei o capitão e, ao ver a sua cara de felicidade, exclamei:

“-Vamos, capitão! O tesouro espera-nos.

“-Não... hoje não... está a escurecer, partam só amanhã.

O capitão respondeu:

“-Sim, tens razão Olho-de-Tigre. Aproveitamos para descansar um pouco e partimos de madrugada.

Olho-de-tigre chamou as criadas e mandou que nos arranjassem dois quartos e preparassem o jantar. Pouco depois fomos para a mesa e eis que se senta à minha frente a mulher do quadro. Fiquei petrificado! Até que, Olho-de-tigre gritou:

“-Sirvam o jantar! “

O jantar decorreu sem grandes falas. O meu olhar esteve sempre virado para aquela mulher que mais me lembrava uma deusa. Por instantes ela olhou para mim, e corou, apercebendo-se que não conseguia parar de a admirar.

Depois do jantar, o capitão gancheta foi com o Olho-de-Tigre para a sala. Mas antes ocorreu um estranho acontecimento. O Olho-de-Tigre mandou chamar o seu capataz e segredou-lhe qualquer coisa ao ouvido. Depois, disse-me qualquer coisa que eu não entendi muito bem. Mas, pouco tempo depois, o capataz retirou-se e eles seguiram para a sala. Enquanto eles se dirigiam para a sala eu fui lavar as mãos. No caminho para a casa de banho, ouvi alguém a chorar na cozinha e fui lá ver. Então, para meu espanto, vi a mulher do retrato a chorar. Fui ter com ela que, entre dois bocejos, pediu-me:

“-Ajude-me!!!

“-Mas, o que aconteceu? – perguntei eu.

“-É o meu marido. Eu não consigo mais viver com ele!

Eu não sabia o que lhe dizer para a reconfortar e foi então que a abracei. Conversámos durante muito tempo, e combinamos que, na manhã seguinte, ela vinha connosco buscar o diamante e depois seguíamos viagem. Nós não contávamos era com o que estava para vir…

De manhã, quando nos preparávamos para sair, o barco não estava lá. Ficámos boquiabertos e sem saber o que pensar. Demos voltas e voltas à cabeça mas não conseguíamos encontrar uma solução para o nosso enigma.

Foi então que eu me lembrei de ir perguntar aos pescadores. Eles disseram que, de madrugada, tinham visto a Celestina (era como se chamava a mulher do retrato) com o Olho-de-Tigre. Pensei que ele tinha roubado o barco e que a tinha raptado, mas a minha ideia caiu-me aos pés quando vi o Olho-de-Tigre amarrado a uma rocha, só em roupa interior. Desamarrámo-lo e foi então que ele contou os terríveis planos de Celestina. O coração subiu-me à boca. Ele só podia estar a mentir… A Celestina parecia tão frágil e desamparada quando a vi a chorar, na cozinha. E disse em sua defesa:

“-Não!!! Não! Ela não faria isso. Nós até combinámos fugir juntos” – disse eu, para logo me arrepender. O capitão Gancheta estava incrédulo com tudo o que estava a acontecer. Olho-de-Tigre limitou-se a dizer-me com voz triste:

“-Já não é a primeira vez que ela me faz isto. Se não fossem vocês, agora já estaria morto. Podem não acreditar mas é verdade. Ela levou o vosso barco e foi à procura do diamante.

Pensei imediatamente em arranjar outro barco e, olhando para o capitão, pude ver a sua cara que agora estava vermelha como um tomate, de tanta raiva acumulada.

“- Há alguma coisa que possa fazer para vos ajudar? “– perguntou Olho-de-Tigre.

“- Claro que há! Empreste-nos um barco.”

“- Está bem! Eu estou em dívida para convosco. Podem levar aquele barco além, que é o mais rápido. “

E nós lá fomos… em busca da Celestina, do barco e do diamante.


Beatriz Rodrigues



Publicado por ML às 13:18
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Tempestade



Ao longe vê-se o mar agitado, com toda a sua fúria que impõe respeito. Nem todos têm a mesma coragem de o enfrentar. E, de súbito, vê-se tão agitado, com tanta confusão, com tanta raiva do homem que tanto mal lhe faz.

Esta força que há no mar veste-se de grandes vagas azuis e esverdeadas e não se vêem ao luar. São cintilantes as ondas que batem nas rochas com uma força que vem do infinito, as águas que se debatem de um lado para o outro.

Nem a areia se vê tal é a azáfama do mar…

Só aqueles que sofreram, mas estão vivos a sabem descrever. Será sempre, para eles, uma mistura de horror, alegria…

Para mim, uma tempestade é uma coisa deslumbrante, daquelas experiências que acontecem só uma vez na vida. Mas o medo exige também muita confiança, muita fé…



Débora Sarmento
Publicado por ML às 12:25
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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