Sexta-feira, 13 de Maio de 2005

Capitão Gancheta e o Barco Roubado – PARTE III

Olho-de-Tigre tinha razão. O mar era bravo, o vento demasiado forte e por pouco não naufragámos. As ondas batiam no casco com tanta força que muitas tábuas se soltaram. Depois de várias horas de luta feroz, chegámos por fim à Baía dos Porcos.

A gruta era um local muito escuro e o único barulho que se ouvia eram pingos de água a caírem. Andámos durante três horas. Todas as galerias tinham o mesmo aspecto: castanhas, húmidas, frias e pouco espaçosas. Foi então que surgiram dois caminhos e fomos cada um por seu lado.

O capitão Gancheta andava em círculos, sem se aperceber, mas à quinta vez, o lugar pareceu-lhe familiar.

- “ Co’ um caneco !....Tenho andado este tempo todo em círculos. Vou voltar para o local onde nos separámos e esperar pelo rapaz. “

Mas, mais ao menos seiscentos metros à frente encontrou o seu barco. Olhou para a esquerda, para a direita, para trás e para a frente e, assegurando-se que não vinha ninguém, correu para o navio e tirou-o dali.

Enquanto isso eu, entre galerias e galerias, encontrei o diamante. Mas tudo aquilo me pareceu silencioso de mais. Não dei muita importância, peguei no diamante e fui-me embora. Mas, quando ia a sair, senti uma coisa na minha cabeça. Uma voz conhecida mandou-me virar. Era ela…!! A Celestina que na mão transportava um ameaçador revólver. Pensando que eu vinha sozinho, conduziu-me ao barco, mas qual não foi o seu espanto quando viu que o barco não estava lá.

“-Mas eu podia jurar que tinha atracado aqui o barco !!!”- disse ela confusa.

Enquanto isso, o capitão Gancheta deu-lhe com uma panela na cabeça e ela desmaiou. Então agradeci ao capitão:

“-Obrigado, meu capitão.
“- Não tens de quê! Eu também tenho que te agradecer por me teres ajudado a encontrar o meu barco . Só é pena não termos o diamante. “- Disse ele, um pouco triste.
Foi então que eu o tirei do bolso e estendi a mão na sua direcção e, na sua cara triste, abriu-se um largo sorriso, então ele abraçou-me e exclamou:
“- Obrigado, meu rapaz.”


Seguimos para o porto das Berlengas onde uma enorme multidão nos esperava entusiasticamente. Entregámos a Celestina às autoridades e fomos ao encontro do Olho-de-Tigre que nos agradeceu e ofereceu a sua casa para dormirmos mais uma noite.

Na manhã seguinte, partimos para mais um dia de roubos e festins a bordo do nosso navio…



FIM


Beatriz Rodrigues





Publicado por ML às 14:13
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Imagem criada a partir de uma pintura de Kandinsky.

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